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Empresa liderada por mulheres vence desafio de empreendedorismo inovador .

Amigas dos Roxinhos é premiada pela Fundação Grupo Boticário.

Em 08/03/2017 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

A ideia inovadora do Instituto Espaço Silvestre foi uma das vencedoras de um desafio que busca negócios com impacto positivo na conservação da biodiversidade brasileira. O desafio foi realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Innonatives, plataforma europeia de inovação aberta para soluções sustentáveis.

O modelo de negócio foi idealizado por Vanessa Kanaan, diretora técnica do Instituto Espaço Silvestre e sua equipe. Ela é a pesquisadora idealizadora de um projeto que visa a conservação do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) e incentivou o desenvolvimento da “Amigas dos Roxinhos”, que une a conscientização ambiental com geração de renda e empoderamento feminino.
 
A empresa é formada por um grupo de cinco mulheres que vivem no município de Passos Maia, no entorno do Parque Nacional das Araucárias, em Santa Catarina. Elas confeccionam e comercializam, na internet, lojas e em pontos turísticos, peças artesanais como camisetas, chaveiros, lixeiras de carro e ímãs de geladeira. Os produtos inspiram-se no papagaio-de-peito-roxo, na araucária (Araucaria angustifolia) – espécies nativas da Floresta com Araucárias, e classificadas, respectivamente, como em perigo e criticamente em perigo de extinção – e em outras espécies da fauna brasileira.

“O negócio nasceu como complementação do trabalho de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo que fazemos no Parque Nacional das Araucárias. A ideia principal sempre foi trabalhar com as aves, mas percebemos que se não atuássemos com a comunidade, com conscientização ambiental e geração de renda, não estaríamos diminuindo as ameaças, como o tráfico de animais”, explica Kanaan.
 
A proteção da floresta e do papagaio é fundamental para que o negócio das Amigas dos Roxinhos continue existindo. Reconhecendo essa importância, elas planejam reinvestir parte dos lucros em ações de conservação da espécie e do ambiente onde ela vive. “E essa integração de negócio e conservação foi um dos pontos que contribuiu para a empresa das Amigas do Roxinho fosse selecionada no desafio”, explica Guilherme Karam, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário.
 
Geração de renda e empoderamento das mulheres
O negócio mudou a realidade dessas famílias. Kanaan explica que na região a mulher tem um papel fundamental nos cuidados da casa e dos filhos e, normalmente, é o homem que trabalha na madeireira, ervateira, ou na agricultura. “Com o projeto, pudemos perceber mudanças nessa estrutura. Hoje essas mulheres fazem parte de grupo e contribuem para a renda familiar de maneira significante”, comenta.  “No começo os maridos não acreditavam muito no trabalho, achavam que fosse apenas um passatempo. Hoje os maridos têm orgulho das suas mulheres”.

Estima-se que a renda gerada pelo grupo tenha tido um aumento de 62% desde 2013, o que interfere diretamente no empoderamento feminino e nas estruturas familiares. “Uma das participantes orgulha-se de hoje ter independência financeira”, exemplifica Kanaan.

Jozi Telles, coordenadora e designer da Amigas dos Roxinhos, também reconhece a importância do negócio para a comunidade. “Hoje eu tenho um lucro a mais, sem contar que é uma terapia. É muito bom quando a gente faz alguma coisa com amor e todo mundo gosta”.

Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, explica que ações que visam a conservação da natureza têm mais força quando integram várias frentes da sociedade. "Acreditamos na importância de envolver a população no processo de conservação da natureza. É relevante incentivar iniciativas que unem desenvolvimento social e econômico e proteção ambiental, pois são pilares que, juntos, se tornam mais fortes e perenes”, afirma.
 
Mulheres e conservação
As mulheres têm um papel educativo atuante, tornando-se poderosos agentes de mudança. Assim, sua liderança e envolvimento é fundamental para os esforços que lidam com a conservação da natureza”, afirma Kanaan.

Essa opinião de Vanessa é ratificada pelo estudo “Forests and Gender” (Florestas e Gêneros, tradução livre), publicado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e pela Organização para o Meio Ambiente e Desenvolvimento das Mulheres (WEDO). “Após avaliar a situação de mulheres em diversos países, os pesquisadores concluíram que elas têm uma relação mais próxima à floresta que os homens, o que reforça a importância de elas serem envolvidas em ações de conservação da natureza, a exemplo do ‘Amigas dos Roxinhos’, comenta Malu Nunes.