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Aproximação rara entre Júpiter e Saturno na tarde de hoje (21)

O exato momento da menor separação angular será às 15 horas e 20 minutos (de Brasília).

Em 21/12/2020 Referência CCNEWS, Redação Multimídia

Foto: Prof. Marcos Calil - Climatempo

Vistos da Terra, Júpiter e Saturno estarão muito próximos entre si. Será a menor aproximação entre eles em quase 397 anos. Próximo evento parecido só em 2040.

Em 21 de dezembro de 2020, exatamente no dia que ocorre solstício de verão para o Hemisfério Sul, e o solstício de inverno no Hemisfério Norte, os terráqueos poderão contemplar a olho nu, com binóculo ou telescópio uma rara aproximação entre Júpiter e Saturno. Vistos da Terra, Júpiter e Saturno estarão muito próximos entre si. Será a menor aproximação entre estes planetas em quase 397 anos e a próxima vez que se poderá ver novamente esta situação será só no ano de 2040.

Condições meteorológicas  para o evento

No Brasil, esta rara aproximação entre Júpiter e Saturno poderá será comtemplada sem problemas com a chuva ou excesso de nuvens nos estados do Rio Grande do Sul, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, na parte norte do Piauí e no norte do Maranhão, incluindo as capitais de todos estes estados. Há uma chance relativamente boa de observação também no Espírito Santo.

Para os demais estados e capitais brasileiras, a chance de visualização será baixa porque a previsão é de muita nebulosidade pouco depois do pôr do sol, além do alto risco de chuva.

O que é uma conjunção?

No campo da ciência astronômica, uma conjunção ocorre quando o ângulo entre Sol e o planeta, observado da Terra, é igual a zero. Para os planetas exteriores, como o caso de Júpiter e Saturno, o que ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2020 pode ser compreendido na figura abaixo

Conjunção entre Júpiter e Saturno.

De acordo com a figura acima, é possível perceber que, quando observado da Terra, os planetas Júpiter e Saturno não estarão em um ângulo zero, em relação ao Sol, mas terão uma separação angular extremamente pequena.

Evento raro em 21/12/2020

Essa mínima separação angular entre Júpiter e Saturno ocorrerá no dia 21 de dezembro, às 15 horas e 20 minutos (horário de Brasília), com apenas 0º 06' 06". Isso significa que esses dois planetas estarão muito próximos entre si.

A tabela abaixo apresenta as últimas separações angulares entre Júpiter e Saturno, com valores angulares menores do que 0o 06' 50".

Foto: Climatempo

Separações angulares 

Tomando como base o evento de 21 de dezembro de 2020, na qual a separação angular entre Júpiter e Saturno será de 0º 06' 06", pela tabela acima, podemos perceber que a menor separação angular ocorrida antes desta data foi em 16 de julho de 1623, ou seja, há aproximadamente, 397 anos.

Ainda na tabela 1, destaca-se a separação angular de 05 de março de 1226, na qual Júpiter e Saturno, quando observados da Terra, estavam apenas a 0º 02' 08" distantes entre si.

Mais próximos ainda em 2040

Mas, engana-se quem acredita que não ocorreram outras aproximações entre Júpiter e Saturno, quando observado da Terra, entre as datas apresentadas na tabela 1. Na verdade, ocorreram muitas outras aproximações, porém como mencionado, foi estipulado um valor menor que 0º 06' 50" para efeito de comparação com o fenômeno de 21 de dezembro de 2020.

Desconsiderando esse valor limite, o próximo evento semelhante ao de 21 de dezembro de 2020, ocorrerá somente em 31 de outubro de 2040. Nesta data, quando ocorrerá a conjunção em longitude entre Júpiter e Saturno, a separação angular entre esses dois planetas será igual a 1º 07' 52", às 08 horas e 47 minutos.

Próximos, mas nem tanto

No exato momento que teremos a menor separação angular entre Júpiter e Saturno, no dia 21 de dezembro de 2020, às 15 horas e 20 minutos (horário de Brasília) esses dois planetas estarão com uma separação angular de 0º 06' 06". E aqui entra o termo "aparente". Pois, quando observados da Terra, aparentemente esses dois planetas estão próximos. Mas, quando na verdade, a distância entre Júpiter e Saturno será de 10,8271 unidades astronômicas, o que significa 1.619.711.106 quilômetros.

Como observar 

No exato momento em que ocorrerá a menor separação angular entre Júpiter e Saturno, ou seja, em 21 de dezembro de 2020, às 15 horas e 20 minutos (horário de Brasília), os observadores no Brasil não poderão apreciar esse fenômeno porque os raios solares e a atmosfera terrestre ofuscarão o brilho desses dois planetas.

Mas, nada como um pouco de paciência para esperar o anoitecer. Aí sim, começará o espetáculo. Por volta de 20 minutos após o ocaso do Sol (pôr do Sol) , quando olharmos para o horizonte oeste teremos dois pontos brilhantes, pouco acima deste horizonte. O mais brilhante será Júpiter e o menos brilhante será Saturno.

Júpiter e Saturno, em 21/12/ 2020, cerca de 20 min após o pôr do sol do Sol.

Para quem for observar a olho nu, mesmo no céu com poluição luminosa, poderá contemplar esses dois planetas facilmente no céu. A única recomendação é que se tenha um horizonte oeste livre da interferência de prédios, árvores, montanhas ou qualquer outro objeto que impeça a contemplação deste fenômeno.

Visíveis com telescópio

Para quem possui um simples telescópio ou deseja obter algumas fotos utilizando uma boa câmera fotográfica e deixando, aproximadamente, 20 segundos de tempo de exposição, poderá observar, além de Júpiter e Saturno, as quatro luas de Júpiter, chamadas de luas Galileanas, Io, Europa, Callisto e Ganymede. Já, para quem possui um bom telescópio, será possível observar Titan, a lua de Saturno.

Tempo de observação é curto

Vale ressaltar que o tempo de observação desse fenômeno é restrito. Teremos, no máximo, 1 hora e 30 minutos de observação, pois com o avançar dos minutos cada vez mais esses dois planetas se aproximarão da linha do horizonte oeste até que ocorra o ocaso de ambos os planetas. Além disso, mesmo que as condições meteorológicas não forem favoráveis para a observação desse fenômeno, vale saber que Júpiter e Saturno podem ainda ser contemplados até, aproximadamente, dia 10 de janeiro de 2021, quando acaba essa temporada de observação desses dois planetas. (Por Prof. Marcos Calil - Climatempo)