Jair Bolsonaro diz que caminhoneiros podem "parar o Brasil"

Presidente pediu responsabilização da Petrobras pelo aumento no preço dos combustíveis.

Em 08/11/2021 Referência CCNEWS, Redação Multimídia

Foto: Reuters

O governo tem buscado desmobilizar possíveis protestos de caminhoneiros, uma base de apoio do Palácio do Planalto, preocupado com o impacto econômico de eventuais bloqueios em um contexto de crise.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 8, em entrevista à rádio Jovem Pan Curitiba, que está crescendo a "tendência de caminhoneiros de parar o Brasil" por causa da alta dos combustíveis.

"É uma coisa que afeta todo mundo", disse, sobre potenciais impactos de bloqueios.

O chefe do Executivo mais uma vez pediu responsabilização da Petrobras pelo salto no preço dos combustíveis.

"Vamos reclamar de quem é realmente responsável por isso, a Petrobras. A melhor coisa que pode fazer para o social é baratear os combustíveis", disse na entrevista, dirigindo-se aos caminhoneiros.

O governo tem buscado desmobilizar possíveis protestos de caminhoneiros, uma base de apoio do Palácio do Planalto, preocupado com o impacto econômico de eventuais bloqueios em um contexto de crise.

Nesta segunda, a Anfavea, entidade que representa as montadoras de veículos no Brasil, informou que a paralisação dos caminhoneiros na semana passada dificultou a retirada de peças no porto de Santos, o que pode levar a novas interrupções nas linhas de montagem em um momento em que as fábricas não conseguem recompor estoques.

Mais uma vez na tentativa de se blindar de críticas sobre a alta dos combustíveis, Bolsonaro voltou a jogar o problema no colo da Petrobras e a criticar a empresa.

"Os dividendos são, no meu entender, absurdos. R$ 31 bilhões em três meses. Eu não quero na parte da União ter esse lucro fantástico", afirmou.

No fim de outubro, Bolsonaro já havia dito que a Petrobras não poderia dar um lucro muito alto, causando impacto negativo no mercado financeiro. A petrolífera registrou lucro de R$ 31,14 bilhões no terceiro trimestre deste ano.

O presidente ainda voltou a criticar a política de preços da Petrobras, chamada por ele de equivocada.

"Nós somos autossuficientes em petróleo, não justifica isso aí. Não podemos ficar escravizados ao preço lá de fora", afirmou, sobre o alinhamento dos reajustes de preços no Brasil à variação do petróleo no mercado internacional. "Lucro da Petrobras, ao longo dos anos, grande parte vai para acionistas." (Estadão Conteúdo)

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