Bolsonaro sonhou com golpe e acordou com Arthur Lira

Bolsonaro, os filhos e a uma malta fascista passaram a pregar o fechamento do Congresso.

Em 04/02/2021 Referência CCNEWS, Redação Multimídia

Foto: Reprodução/ Facebook

O Ato Institucional Número Cinco (AI-5) foi o quinto e mais severo dos dezessete atos do regime militar inaugurado pelo golpe de estado de 1964. Decretado por Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, significou a cassação dos mandatos parlamentares e a suspensão de todas as garantias constitucionais até então vigentes.

Jair Bolsonaro, a partir do início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, precisamente a partir de março de 2019, encarnou os mais virulentos generais (e torturadores) do passado e decidiu ser a hora de um novo AI-5 no País. Ele, os filhos, os aloprados mais próximos e uma malta fascista passaram a pregar abertamente o fechamento do Congresso Nacional.

O choque de realidade chegou sob a forma de três fatos: 1) Forte reação do STF, como a prisão das Saras Winter da vida; 2) Declarações públicas e recados privados de importantes oficiais contrários à aventura tresloucada; 3) O mais importante deles: a prisão do amigo de décadas, o operador das rachadinhas, o faz tudo da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz.

Acuado, ao maridão da receptora de cheques de milicianos só restou enfiar o rabinho entre as pernas e calar a boca profana por dias. Porém, passado o susto – e o medo de cadeia! – e com os devidos conchavos jurídicos ajambrados, pouco a pouco o maníaco do tratamento precoce foi colocando as asinhas de fora e voltou a praticar arruaças públicas.

Contudo, desde então, o devoto da cloroquina desistiu de atentar contra a democracia e o Estado de Direito, até que, ligando o “foda-se” para os fanáticos seguidores (já que fanáticos mesmo), rasgou de vez a fantasia de probo e se atirou, de boca e tudo, no colo dos barões do Centrão. Quem não tem canhão, caça com gato. Neste caso, com gatunos.

Arthur Lira (PP) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, com o apoio bilionário de Jair Bolsonaro. Para quem não sabe, Lira é condenado em duas instâncias e responde a dois processos no STF. Porém o cacique do Centrão significa para o pai do senador das rachadinhas a devida proteção contra pedidos de impeachment.

Bolsonaro casou com Arthur Lira e seu bando, mas terá que levar a família para os finais de semana no sítio. O mito de araque foi dormir sonhando com o golpe – em ser o novo João Figueiredo -, mas o que conseguiu foi acordar ao lado da noiva feia; o Centrão. Uma esposa cara e infiel que não hesitará em trocar de marido por alguns poucos tostões do vizinho.

Sobre o autor

 Ricardo Kertzman, é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração. (IstoÉ)