ECONOMIA NACIONAL

Ministro Joaquim Levy diz que Petrobras vai superar problemas no balanço.

Precisamos mudar o cenário fiscal. A política expansionista levou a um aumento na relação dívida/PIB.

Em 18/02/2015 Referência JCC

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que Petrobras vai superar os problemas que enfrenta com a divulgação de seu balanço do terceiro trimestre de 2014 e disse acreditar que a estatal não terá dificuldades com o demonstrativo do ano fechado. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18) durante evento a investidores e analistas, em Nova York.

Levy comentou ainda que a petroleira vai "virar a página", referindo-se às investigações de desvios e irregularidades da operação Lava Jato. "As curvas de exploração e refino da Petrobras mostram crescimento ao longo dos anos. Os gastos da Petrobras sempre foram transparentes", defendeu.

No fim de janeiro, a estatal divulgou com atraso o balanço do terceiro trimestre, após adiá-lo mpor duas vezes, sem incluir as perdas financeiras com corrupção. Isso levou as ações da companhia a perderem cerca de 10% de seu valor na bolsa brasileira. Na semana passada, a empresa anunciou que irá apresentar seu balanço auditado de 2014 no final de maio, e advertiu que deve reduzir investimentos no futuro.

Política econômica
O ministro afirmou também que o país está deixando para trás as medidas anticíclicas (que visam estimular o crescimento em um momento de baixa atividade) adotadas pela equipe econômica anterior.

Sobre as novas medidas de ajuste do governo, Levy reafirmou o compromisso com o rigor fiscal e com a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015 – o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais).

A uma audiência de cerca de 200 pessoas, Levy mencionou que depois de um crescimento sustentado desde o início da década de 2000, o Brasil entrou em estagnação no ano passado e agora prevê um crescimento de 0,5% em 2015, bem abaixo dos 7,5% alcançados em 2010.

De acordo com a France Presse, o ministro citou o problema das contas públicas, com o primeiro déficit comercial em 14 anos e a necessidade de cortar custos ante o baixo crescimento da economia.

Em janeiro, Levy anunciou o aumento de tributos sobre combustíveis, sobre produtos importados e, também, sobre operações de crédito. A equipe econômica espera arrecadar R$ 20,6 bilhões em 2015 com as mudanças.

Segundo o chefe da Fazenda, os empréstimos do Tesouro para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não são mais instrumento de política econômica. O banco empresta dinheiro ao setor privado a juros abaixo do mercado. "O BNDES vai buscar outras formas de captar dinheiro", afirmou.

Cortes de benefícios
O ministro disse ainda estar confiante de que o governo terá o apoio do Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal. Recentemente, o governo limitou alguns benefícios sociais por Medidas Provisórias, como seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte.

Levy justificou as medidas afirmando que os gastos com seguro-desemprego passaram de 0,5% do PIB para 1,1% recentemente. Os reajustes do salário mínimo acima da inflação e os benefícios sociais ajudaram a inflar os gastos do governo, afirmou o ministro.

Sobre a restrição do acesso à pensão por morte – que deixa de ser integral e passa a ter carência –, Levy observou que a beneficiária poderia retornar ao mercado de trabalho. "Se o marido deixa a esposa jovem com filhos, o benefício ajuda a criar as crianças mas, no futuro, ela teria condições de voltar a contribuir.

"São questões apartidárias, estou confiante de que vamos conseguir no Congresso [a aprovação da MP]. Precisamos mudar o cenário fiscal. A política fiscal expansionista levou a um aumento na relação dívida/PIB. Mas não têm sido incomuns aumentos assim no mundo nos últimos anos", afirmou.

Levy citou a Rússia, observando que o corte de impostos foi um dos responsáveis pela queda na arrecadação. "Há uma tendência no mundo de evitar políticas anticíclicas como essa. O que o governo está realizando agora é desfazer algumas dessas medidas anticíclicas [voltar com a Cide, por exemplo] e não criar novos impostos".

Política monetária
O ministro disse ainda que a política monetária – de definição dos juros para conter a inflação – vai se tornar mais restritiva (por meio de juros mais altos) mais cedo ou mais tarde, acrescentando que os juros reais sofreram uma queda histórica nos últimos anos. "As expectativas de inflação vêm convergindo de novo para [o centro] da meta [de 4,5% ao ano]".

Levy, também ressaltou que a relação entre a dívida bruta e Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil subiu recentemente, mas salientou que parte disso se refere ao acúmulo de ativos e que esse aumento não foi incomum quando comparado a outros países.

Como compromissos e metas de sua gestão, o chefe da Fazenda citou o foco na dívida pública e a aceleração das concessões e PPPs (Parcerias Público Privadas). O ministro mencionou, ainda, a melhora na capacitação da mão-de-obra em nível técnico e superior e da oferta de mão-de-obra, além de mudanças no sistema tributário, tanto em nível federal como estadual.

Fonte: Ministério da Fazenda/G1